Sensor no smartphone ajuda a encontrar açúcar no algodão

sensor no smartphone detecta açúcar no algodão

Pesquisadores desenvolveram uma alternativa para detectar a presença de açúcares causadores da pegajosidade em pluma de algodão, conhecido como algodão-doce ou caramelizado. O método utiliza imagens da pluma captadas por um sensor portátil de imagens que funciona no espectro infravermelho médio, invisível ao olho humano. Esse sensor pode ser acoplado a um smartphone e a imagem é mais bem definida com filtros especiais para revelar a presença dos contaminantes.

“Captamos uma imagem equivalente a um mapa de temperatura da amostra de algodão, e a imagem é processada por algoritmos matemáticos que desenvolvemos para detectar os pontos onde há açúcar”, explica o pesquisador da Embrapa Algodão Everaldo Medeiros.

Como se trata de método não destrutivo é possível fazer várias amostragens de um mesmo fardo. “O método convencional utiliza uma amostra de 20 gramas de pluma para ser representativa de um fardo de 200 quilos, e a pegajosidade pode estar em outro ponto do fardo”, alerta.

Problemas para a indústria têxtil

O açúcar entomológico é uma das contaminações da fibra de algodão mais prejudiciais para a indústria têxtil no mundo. De acordo com a pesquisa divulgada no ano passado pela Federação Internacional de Fabricantes de Têxteis (ITMF, sigla em inglês), sediada em Zurique, na Suíça, o Brasil foi o país com maior percentual de ocorrência de pegajosidade nas amostras analisadas (em 39% de 23 amostras analisadas). “Embora a qualidade do algodão brasileiro venha melhorando cada vez mais, a presença de pegajosidade ainda é um problema que causa prejuízos milionários todos os anos aos cotonicultores e à indústria têxtil”, diz o pesquisador.

Os açúcares que causam maior prejuízo à pegajosidade são excretados por insetos-praga como o pulgão, mosca-branca e cochonilha nas folhas e caule da planta. Quando os capulhos se abrem, a fibra se contamina por entrar em contato com essas estruturas impregnadas com o açúcar. O açúcar contaminante permanece aderido à fibra ao longo de vários processos, mas só é detectado como um problema na indústria têxtil e geralmente depois de já ter contaminado diversas máquinas e dutos da indústria, o que causa grande prejuízo.

Se a concentração desse açúcar for elevada, pode causar sérios problemas na fiação. “O algodão pegajoso adere ao maquinário e gera problemas para o funcionamento das fiações, gera prejuízo pela paralisação para limpar maquinário, o tecido perde qualidade com a formação de neps (pontos irregulares nos fios), e o produtor perde porque a indústria vai cobrar deságio”, destaca Medeiros.

Fonte: Embrapa